JUSTIFICATIVA
(Desenvolvimento de projeto - FAC)
O Instituto de Pesquisa, Ação e Mobilização - IPAM é o executor deste projeto
Na década de 1930, Franklin Roosevelt,
ex-presidente americano, imprimiu a seguinte frase; “Flag follows films”
(“A bandeira acompanha os filmes”), o que significaria dizer, aonde vai o nosso
cinema vão os nossos produtos. E, quando falava em produtos, Roosevelt não se
referia apenas à Coca-Cola ou ao jeans, mas também justificadamente ao
"american way of life", algo que ocupava um espaço enorme no
mundo.
Em contraponto a isso, no inicio dos
anos 60 nasceu o Cinema Novo, talvez para dar
uma sacudida na realidade sócio-político-cultural brasileira, da mesma forma
como o fizera o Movimento Modernista, cerca de trinta anos antes. E esse cinema
novo nasceu com um forte componente anti-imperialista para fazer frente ao
modo de vida americano que fazia parte do imaginário da burguesia, e das
camadas médias da população brasileira da época.
Pois bem, é
nessa linha política que pretendemos caminhar. Caminhar na construção de um
filme popular, tragicômico que fale de forma bem humorada do Brasil, dos políticos,
sobretudo dos populistas e também do cinema novista.
No entanto,
antecipadamente, deixamos claro que não estamos pretendendo seguir os mesmos
passos do Cinema Novo, aquele cinema politizado, engajado até. Mas recriar, em
tom de farsa, esse e outros períodos da história mundial, da nossa recente
história e também da história do Cinema Brasileiro, proporcionando, desta
forma, uma descontraída observação das nossas próprias dificuldades e
impossibilidades, da nossa infinita procura pelo ideal, um bem que não existe
na distância de nossas mãos, tampouco onde o nariz aponta, nem onde nossa vista
alcança e que só poderá ser encontrada na Utopia de Thomas Morus ou em outras
utopias, da mesma forma inatingíveis.
Pois bem,
insinuações como estas certamente serão encontradas no filme que estamos nos
propondo realizar. Pretendemos, quiçá, rir de nós mesmos, mas nada disso será
perda de tempo. Tampouco será por maldade ou vingança, mas pela constatação de
que, na maior parte do tempo, somos seres ridículos, finitos, breves, sem, no
entanto, atentarmos para isso.
Finalmente,
estamos propondo um projeto cinematográfico de maneira que possamos nos ver e
nos identificarmos na tela do cinema. Seja a gosto ou a contragosto, já que,
enquanto humanos, como já dissemos não passamos de seres imperfeitos, cheios de
virtudes e defeitos. É portanto, o que se apresenta na nossa afirmação. E, como
veremos, o niilismo acabará por negar a nossa negação.
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